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Verificação do navio

Marinheiro 10 min de leitura

Como verificar o navio e a empresa antes da viagem

OSINT para o marinheiro: como em 10 minutos descobrir se o navio existe e se não está apreendido.

Conteúdo da página
  1. Instrumentos
  2. 1. Onde o navio está exatamente agora? (AIS)
  3. 2. Número IMO
  4. 3. Equasis — dossiê do navio
  5. Análise com um exemplo
  6. Sinais de alerta 🚩
  7. Adicionais

Verificação antes do contrato

Você recebeu uma oferta de emprego. O salário é excelente, a posição começa amanhã. Antes de concordar, dedique 15 minutos para uma pesquisa. Dados abertos (OSINT) permitem saber quase tudo sobre o navio sem sair do sofá.

Aqui está como verificar para não embarcar num navio fantasma ou numa prisão flutuante.

Instrumentos

1. Onde o navio está exatamente agora? (AIS)

Acesse o MarineTraffic ou o VesselFinder. Digite o nome ou o IMO.

O que observar:

  • Se lhe disserem “embarque em Roterdã”, porém o navio no rastreador está em Cingapura e não se move — eles estão mentindo para você.
  • Se o navio está no porto já há um mês — pode estar apreendido ou em reparo.
  • Se o AIS está desligado há muito tempo (“No signal”), isso é um péssimo sinal.

2. Número IMO

IMO — é o passaporte do navio. O nome pode ser alterado, a bandeira também, o IMO permanece para sempre. Fraudadores costumam usar o nome real do navio, mas criam um IMO falso (ou vice-versa).

  • O número tem sempre 7 dígitos.
  • Verifique-o no Equasis (é necessário registro gratuito) ou simplesmente no Google.

3. Equasis — dossiê do navio

Equasis é uma base de dados onde se pode ver os antecedentes. Lá dá para saber:

  • Quem é o proprietário real.
  • Quantas vezes o navio foi detido (detenção PSC).
  • Qual é a sociedade de classificação.

Se o navio foi detido em quase todos os portos por salários não pagos ou falhas técnicas — você verá isso.

Análise com um exemplo

Suponha que o chamem para a ELEEN SOFIA (IMO: 9407512).

  1. Observamos o rastreador. O navio está no Oceano Índico. Se lhe oferecerem embarque no Brasil amanhã — já não confere.
  2. Vamos ao Equasis.
    • Ano de construção: 2008.
    • Proprietário: off-shore nas Ilhas Marshall.
    • Gestor: empresa búlgara.
  3. Analisamos o histórico.
    • 2022: apreensão nos EUA.
    • 2024: apreensão na Austrália (salários atrasados).
    • ITF já o incluiu em listas negras.

Conclusão: A vaga pode ser real, mas o navio é problemático. Você corre o risco de ficar sem dinheiro ou sem ar-condicionado nos trópicos.

Sinais de alerta 🚩

  • Incongruências. No contrato há uma bandeira, no MarineTraffic outra.
  • Mudança de nomes. O navio muda o nome a cada seis meses. É uma estratégia clássica de “fugir” de dívidas.
  • Bandeira. Se o navio estiver sob bandeira “preta” (países com requisitos de segurança baixos), o risco é maior.
  • Ausência em bases. Se o navio não estiver em nenhum registro — ele não existe.

Adicionais

É melhor passar a noite pesquisando no Google do que passar meio ano tentando receber salário na justiça em um país estrangeiro.

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